Tejo Internacional e Malcata foram visitados

Navegabilidade no Tejo vai ser reavaliada

 

Paulo Taveira de Sousa esteve na região com as áreas protegidas na agenda de visita. O secretário de estado do ordenamento do território deixou em aberto a reavaliação da questão da navegabilidade na visita ao Parque Natural do Tejo Internacional. Já quanto à Serra da Malcata a visita foi mais de reconhecimento do terreno do que para anunciar novidades.

 

 

 

O secretário de Estado do Ordenamento do Território passou um fim de semana na região, tendo visitado o Tejo Internacional e também a Malcata.

Paulo Taveira de Sousa veio até ao Parque Natural do Tejo Internacional fazer uma visita de reconhecimento do terreno numa altura em que já é dada como certa a mudança de instalações da sede e centro de monitorização do parque, criado ainda pelo governo socialista de António Guterres. A nova sede deverá ficar instalada em Castelo Branco ao abrigo do programa Polis. Outro dos passos a dar no futuro passa pela elaboração do Plano de Ordenamento do Parque Natural do Tejo Internacional que deverá avançar dentro em breve tendo o actual Governo aprovado a criação da comissão que deverá acompanhar a elaboração desse mesmo plano. Depois da visita ao terreno, Paulo Taveira de Sousa jantou com Joaquim Morão e Álvaro Rocha. Do encontro com os presidentes das Câmaras Municipais de Castelo Branco e Idanha-a-Nova ficou com a impressão de que "parece que existem boas relações actualmente entre o Parque, as Câmaras Municipais e as populações, as coisas estão pacíficadas" referiu Paulo Taveira de Sousa que admite a necessidade de reparar algumas das vias de acesso ao Parque Natural.

Mas, a questão que tem levantando mais celeuma é mesmo a da navegabilidade do Tejo e da sua importância para uma das apostas fortes de Castelo Branco e Idanha, o turismo, aposta bem patente na formação da Naturtejo. Paulo Taveira de Sousa compreende os anseios das autarquias e da população mas também defende a direcção do parque. "Quando as coisas correm mal a culpa é do Parque e muitas vezes não é assim. Por exemplo, a proibição de navegar no Tejo não tem nada a ver com o Parque, existe há dez anos" lembra o secretário de Estado. Paulo Taveira de Sousa é da opinião de que a proibição de navegar no Tejo deve ser "reavaliada" embora não assuma essa posição como oficial colocando a decissão final em estudos a realizar. A partilha do Tejo com Espanha é também um dos assuntos a discutir com o país vizinho, "nós temos um rio que faz fronteira e portanto não faz muito sentido que haja até metade do rio uma regulamentação e a partir da outra metade, outra regulamentação".

Malcata sem novidades Se há diferença entre o Parque Natural do Tejo Internacional e a Reserva Natural da Serra da Malcata, ela nota-se, por exemplo, nas instalações. De tal forma que Paulo Taveira de Sousa começou por definir a visita a Penamacor com esta frase, "tomara eu que em Lisboa houvesse muitos serviços públicos com instalações desta qualidade".

Apesar da presença da GNR a visita passou discreta na manhã do último domingo, tão discreta que foi acompanhada praticamente só pelo director da Reserva, além de alguns elementos ligados à tutela e à própria Reserva.

À conversa com "Reconquista", Paulo Taveira de Sousa foi também directo ao assunto quando ao motivo da sua visita à Malcata. "Não trago novidades nenhumas, isto é uma visita de trabalho justamente para ter uma informação directa e vou não só observar como também falar com o director e a sua equipa para trocarmos impressões", confessou o secretário de Estado.

Ainda assim ficou a certeza de que o Plano de Ordenamento da Reserva vai entrar em discussão pública, dentro de dias, depois de terem sido ouvidas as partes com interesse no futuro da Reserva. O tema, esse, já fez correr muitas palavras e com elas a tinta. Ainda em Setembro de 2003 o executivo municipal de Penamacor, do poder à oposição, condenava as propostas contidas no Plano de Ordenamento. "Erro", "absurdo" e "exagero" foram alguns dos adjectivos utilizados para designar a proposta do Plano de Ordenamento para a Malcata, mas o secretário de Estado acredita que o entendimento entre as partes será agora possível.

Quanto ao lince, o símbolo da Reserva e motivo principal da sua criação no início da década de 80, deverá regressar à Malcata em breve. O Centro de reintrodução da espécie deverá estar concluído ainda este ano abrindo portas ao regresso depois de terem sido criadas as condições naturais para a sobrevivência dos animais que virão de Espanha.

Depois da sede da Reserva, a comitiva visitou alguns pontos da Malcata entre os quais o Centro de Educação Ambiental da Senhora da Graça e o campo de alimentação de aves necrófagas.

José Furtado

 

Autor: José Furtado                                   26-03-2004 18:01:50