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Parque do Tejo Internacional recebe cinco milhões de euros |
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Sampaio diz que o País é viável |
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Jorge Sampaio visitou o Parque Natural do Tejo Internacional. Uma visita aproveitada pelo Governo para ali anunciar um investimento de cinco milhões de euros. O Chefe de Estado ficou satisfeito. Mas, lançou algumas farpas. Ironizando, disse que não pode percorrer o País a 200 à hora. Se o fizesse as candidaturas iam sendo aprovadas com mais velocidade.
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O Governo vai investir cinco milhões de euros no Parque Natural do Tejo Internacional. O anúncio foi feito segunda-feira, 12 de Abril, pelo ministro das Cidades, Ambiente e Ordenamento, Amílcar Theias, na freguesia de Rosmaninhal (Idanha-a-Nova), durante as Jornadas do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, promovidas pelo Presidente da República, Jorge Sampaio. Amílcar Theias aproveitou a visita do chefe de Estado ao concelho de Idanha-a-Nova, para anunciar a aprovação de três candidaturas do Parque Natural do Tejo Internacional e dos municípios de Castelo Branco e Idanha-a-Nova, ao Programa Operacional do Ambiente. Estas verbas, segundo o ministro, destinam-se a intervenções a efectuar em 86 quilómetros de caminhos rodoviários nos dois municípios e acções específicas de conservação da natureza, criação de uma base de dados e incentivos à manutenção de actividades agrícolas no âmbito do Parque Natural. O Presidente da República mostrou-se satisfeito e congratulou-se com a aprovação das candidaturas. Contudo, esta coincidência com a sua visita a uma das zonas naturais mais importantes do País, mereceu desde logo algumas farpas ao Governo. "Fico muito contente com isso. Não posso é dar a volta a Portugal sempre a 200 à hora, dia e noite, porque tenho a impressão que se desse, as candidaturas iam sendo aprovadas com mais velocidade", referiu. Porém, "não é isso que me faz mexer. Aquilo que me faz mexer em apoio das Câmaras e das pessoas é que é preciso os portugueses interiorizarem que existem estas coisas. Será que os portugueses conhecem que há um Parque Natural do Tejo Internacional, que propicia actividade, que tem preocupações de preservação do património em todas as suas vertentes?", questionou o Chefe de Estado, para concluir que é importante que se conheça. Esse é o primeiro objectivo. Dar a volta à desertificação Jorge Sampaio assinalou, desde logo, a existência de um "problema complicado" naquela região. Uma vez mais, a desertificação do Interior foi realçada. E de facto, o caso não é para menos, pois na última década, 23 por cento da população abandonou a região, o que motivou do Presidente da República, uma chamada de atenção para esse facto. "Naturalmente temos de observar em profundidade e ver como é que damos a volta a esta situação, para que não continue a ser assim". Por outro lado, deixou uma palavra de estímulo para todos aqueles que trabalham com estas matérias e fez questão de frisar que estamos perante a necessidade de ter equipas fiáveis no Parque, cuja área ronda os 24 mil hectares. "Não é possível ter um Parque Natural com dois vigilantes da natureza como acabei de ser informado. Não chega, é manifesto que não chega, porque nós pensamos e sabemos que a sua actividade é importante e portanto é preciso alargá-la". Além disso, Jorge Sampaio apelou também a um esforço no sentido de concretizar o Plano de Ordenamento do Parque e, sobretudo, "repensar um pouco a Rede Natura em concreto. Tudo isso são instrumentos absolutamente essenciais para o País", sublinha. Jorge Sampaio disse ainda que gostaria de perceber "como é que nós portugueses deixamos delapidar património a uma velocidade assinalável e deixamos violar o território de uma forma, muitas vezes, preocupante". Insistindo na necessidade de um maior envolvimento das populações na conservação do património e da conservação da natureza, o Presidente da República recordou que o país "não pode ser um deserto nem podemos dar cabo do nosso património". No entanto, recorda que se há um fosse que se abre constantemente entre aquilo que é o esforço dos eleitos, o esforço das populações e do outro lado estão os interessados do ambiente, "esse fosso nós temos que o quebrar constantemente em Portugal", sublinha. "Não venho passear" O Presidente da República deixou mais alguns recados. Desde logo, lembrou que "o País não é todo agrícola" e que tem de haver uma adaptação "o mais rapidamente possível" às novas realidades, nomeadamente, às consequências e reflexos da Política Agrícola Comum (PAC). Este é um grande desafio que está perante todos. "O que nós não podemos é dispersarmo-nos em coisas que não vão ter nenhum futuro", sublinha. Jorge Sampaio deixou uma palavra de esperança, "não uma palavra contemplativa. Eu não venho aqui passear. Venho aqui para dizer que o País é viável desde que a gente não bata com a cabeça na parede e faça exactamente o contrário do que hoje a ciência, a tecnologia, a investigação dizem que devemos fazer", alerta o presidente. Por último, deixou bem claro que esta mudança é necessária e é preciso executá-la. "Quem tem o envelhecimento da população que aqui existe, quem tem o abandono das terras porque elas não são para as novas gerações o aliciante que poderiam ser, temos que escolher as actividades que têm futuro e combiná-las com aquilo que deve ser uma cultura ambiental e de preservação do património moderna, capaz de atrair", conclui o Chefe de Estado. |
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Autor: Carlos Castela 16-04-2004 18:01:50 |
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