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Associações não foram ouvidas |
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Plano de ordenamento desrespeita utilizadores |
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O Plano de Ordenamento da Barragem de Idanha foi feito porque não tem a mínima noção do que se passa por lá. Esta acusação é feita pela associação Mar Doce e prende-se com as diversas imposições e restrições constantes do documento, ainda em discussão. A associação não foi contactada e quer alertar, enquanto é tempo.
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A Associação Mar Doce - Pesca Desportiva e Navegação de Recreio, em conjunto com a APPA - Associação Portuguesa de Pesca ao Achigã lamentam o facto de não terem sido tidos nem achados na fase de elaboração do Plano de Ordenamento da Albufeira de Idanha. Vasco Eusébio, Joaquim Martins e Gomes Torres, também da APPA, referem que houve um total desprezo pelas associações de utilizadores do espaço, que estão legalmente constituídas. Para eles, este foi um plano elaborado à revelia. Numa análise profunda do documento, ainda em discussão, referem que a actividade de navegação foi completamente esquecida, com um peso muito reduzido, limitando-se o Plano a restringir. Daí que considerem "abusivo que se determinem e alterem condições que mexem com a forma de vida das pessoas, sem o seu conhecimento". Para além disso, chamam a atenção para o facto de o Interior necessitar de algo que fixe as populações, dando um mínimo de qualidade de vida aos que decidiram permanecer por cá. "As populações do Interior estão já limitadas e marginalizadas, sendo este Plano uma verdadeira machadada numa das vantagens que mais as motiva a ficar: o ar puro e o contacto com a natureza", acrescenta a Mar Doce. Por outro lado, consideram quase anedótico que, para a sua actividade se invoque a preservação ambiental da área e, no mesmo local, se mantenha o festival Boom, com o qual não discordam, conforme frisam. Falam depois, do total desconhecimento de quem elaborou esta proposta de ordenamento sobre aquilo que é, de facto, um motor eléctrico e um motor de combustão. Muitas vezes confundem-se ambos, mas o motor eléctrico, conforme esclarecem, não polui, não liberta óleo e nem sequer permite fazer ski aquático, uma vez que a sua velocidade é semelhante à de um barco a remos. De resto os barcos com este tipo de motor, em alguns países têm o estatuto de barco a remos. Por outro lado, não fazem ondas, nem barulho. Para além disto, a Mar Doce aponta três pontos que consideram dignos de registo e que só vêm comprovar a teoria de que quem faz este tipo de restrições não sabe do que fala e do que trata. Nomeadamente, a localização do cais de embarque e rampa de acesso que é, segundo eles, um perfeito absurdo. "O local escolhido é muito íngreme, dará origem a uma rampa paralela à margem, tornando-se perigosa, será de construção extremamente dispendiosa devido à característica rochosa da zona e no local não existe espaço suficiente para parqueamento de carros e atrelados", frisam. E acrescentam que a localização prevista, na curva à esquerda na estrada de acesso ao paredão, é uma área frequentada por pescadores e onde normalmente as pessoas passam o dia em família. Ou seja, os pescadores de margem ficariam sem uma zona que lhes tem sido historicamente reservada. A Mar Doce considera que a rampa deveria ficar em frente ao Parque de Campismo, à esquerda da tomada de água. Outro dos óbices apontados prende-se com a zona de navegação definida que, ronda os quatro por cento da área total da barragem, sendo que a zona, para quem não conhece é extremamente perigosa, uma vez que tem diversos obstáculos submersos. Aparece, no referido documento, uma frase que deixa os elementos da Mar Doce sem perceber bem o que significa. Prende-se com a interdição de pescar no descarregador. "Ninguém pesca no descarregador da barragem de Idanha, visto que o local tem pouca profundidade e fica logo seco com os primeiros raios solares. Pensam tratar-se de toda a zona do descarregador, estendendo-se por toda a faixa paralela à estrada de acesso ao paredão. Ora esta é precisamente a zona histórica dos pescadores de margem. Por outro lado, se se refere à margem posterior, após o paredão, "é um perfeito disparate", segundo eles, porque não há por aí acesso e quem quiser pescar terá que deslocar-se a pé. A terminar a associação conclui que a não serem feitas as coisas bem fundamentadas e ouvindo todas as partes, se vai hipotecar o futuro da utilização excepcional que tem aquela albufeira. "Mais uma vez, estamos a criar um jardim para os outros utilizarem. Há alguém que decide centralmente, porque gosta de vir aqui ver onde ninguém mexe", frisam. E acrescentam, a terminar, que ninguém mais está interessado em preservar toda a zona do que aqueles que lá andam, com a consciência de que há que definir e regular. A Mar Doce esteve presente na última Assembleia Municipal de Idanha, com o intuito de sensibilizar todos os deputados. O presidente da Câmara diz que vai estar atento e fazer passar a mensagem, junto das entidades competentes. |
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Autor: Cristina Mota Saraiva 18-02-2004 18:01:50 |
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