Plano de Ordenamento da Albufeira de Sta. Águeda

Incompetência, ignorância ou má fé?

 

 

 

 

O Plano de Ordenamento da Albufeira de Sta. Águeda será brevemente publicado em Diário da República. Não sem ter sido alvo de críticas, reclamações e sugestões que chegaram ao Instituto da Água - o INAG, em número de trinta e quatro, sobre variados assuntos.

No seio dos pescadores embarcados, uma das questões mais preocupantes seria a utilização de embarcações movidas por motor eléctrico, e os locais onde exercer esta específica modalidade de pesca. Quanto aos motores eléctricos, deve-se dizer (mais uma vez, porque há quem ainda não tenha entendido) que este tipo de motor não tem qualquer tipo de emissões, não provoca ruído, não faz ondas e também não dá para fazer ski... Este disparate do ski, já surgiu da boca de uma personalidade que ocupando um lugar de relevo num departamento relacionado com o meio hídrico - e que deveria saber destas coisas "a potes" - a colocou de forma inocente, revelando extrema ignorância numa matéria da qual deveria ser entendida, uma vez que fazia parte do seu trabalho.

Em carta-resposta enviada pelo INAG, devido à minha participação por escrito durante o período de Consulta Pública, fui informado que a navegação com motores eléctricos teria sido contemplada e incluída nas alterações efectuadas no documento final. Ou seja, passaria a ser permitida a sua utilização, sendo equiparadas às embarcações sem motor. Parece que finalmente começamos a entender estes assuntos como os países evoluídos...

Mas qual não é o meu espanto, numa outra reclamação relacionada com a necessidade de prever espaços diferentes para a prática da pesca desportiva, (porque nem todos os pescadores praticam o mesmo tipo de pesca) tinha sido indeferida! Ou seja, num futuro próximo, o pequeno espaço físico previsto para a pesca desportiva definido pelo Plano de Ordenamento, vai ser partilhado por pescadores de bóia, - que podem usar canas de 13 metros de comprimento; por pescadores de fundo - que podem fazer lançamentos de duas ou três dezenas de metros e pescadores que pescam a partir de barco, lançando em direcção às margens. Por incrível que pareça, quem tiver a possibilidade de se deslocar de barco, não pode pescar no meio da albufeira, onde não incomoda ninguém, visto que o plano de água não está contemplado como local de pesca...

Desculpem, chama-se a isto Plano de Ordenamento? E pago por todos os contribuintes? Amontoar os pescadores que praticam tipos de pesca tão diferentes num espaço tão pequeno? Com que objectivos e baseado em que estudos? Se é possível navegar numa boa parte do plano de água, o que é impede que se possa lá pescar, uma vez que essa actividade não tem qualquer efeito para o ambiente? O que mais custa aos nossos pescadores é que quem quiser pescar na Marateca, tem que pescar nos locais definidos por uma empresa privada de Lisboa, provavelmente com funcionários estagiários e/ou a recibo verde (sem grandes compromissos profissionais, perdoem-me as excepções...), sob as linhas de ordem do INAG, sem qualquer critério, conhecimento e sem ligar peva, à opinião das pessoas que cá vivem... Não me parece bem... Infelizmente, estas pequenas questões de particular importância e que mexem com a nossa vida e qualidade de vida vão-nos sendo arrancadas, pouco a pouco e por pessoas que nem nos conhecem. Para obter alguns esclarecimentos e manifestar a minha opinião - porque sou cidadão português e tenho os meus impostos em dia - no dia 4 de Maio tentei por diversas vezes falar com alguém do INAG, identificando-me. Depois de passar por três ou quatro funcionárias, a chamada ia inevitavelmente cair numa extensão em que ninguém atendia. Mesmo para o numero directo da suposta pessoa responsável por este Plano. Incrível, não acham? Será um número para onde se transferem as chamadas dos "chatos"? Infelizmente, disparates deste tipo já o organismo responsável pela gestão dos nossos recursos hídricos nos habituou. O INAG faz vista grossa destas "pequenas" questões, demonstra ignorância, prepotência e até má fé, como fez no Plano de Ordenamento de Castelo do Bode, em que no documento final apresentou alterações que não surgiram no documento sujeito a Discussão Pública. Algo vai mal naquele organismo porque não faz uma certa. O descontentamento é geral por todo o país e ainda só agora vamos no início dos Planos de Ordenamento das nossas albufeiras.

O que mais custa é que INAG funciona com o dinheiro de todos os contribuintes e não nos serve. Nem os que tem barco ou pescam, nem os que não sabem sequer onde fica a Marateca. Acredito que naquela Instituição, devem acham que os pescadores, são todos como os dos Malucos do Riso e não sabem por exemplo que há muita cana de pesca em Castelo Branco, que custou duzentos ou trezentos contos...

Gomes Torres Proprietário consciente de embarcação de recreio

 

Autor: Gomes Torres                                   13-05-2004 18:01:50