Praias Fluviais e albufeiras
Águas do Interior entre as piores da Europa



A água das praias interiores de Portugal e Espanha são as piores da União Europeia (UE) no que respeita aos parâmetros de qualidade, revela um relatório da Comissão divulgado na quarta-feira passada em Bruxelas. A associação ambientalista Quercus reagiu, sem surpresa, aos resultados e alertou para a necessidade de gerir melhor os recursos hídricos, noticiou a agência Lusa. O documento, da autoria da Agência Europeia do Ambiente, avalia os recursos hídricos da Europa, baseado em 57 indicadores. Foram analisados a qualidade e quantidade da água do mar, rios, lagos, estuários e lagoas em vários países europeus, concluindo-se que houve uma evolução positiva nos anos 90, embora permaneçam dez por cento das águas costeiras e 28 por cento das interiores fora dos parâmetros, grande parte devido às descargas poluentes e à agricultura. No que respeita à qualidade da água para banhos o estudo demonstra que, em 2001, Portugal e Espanha foram os países que mais se distanciaram dos níveis ideais nas praias interiores. Do outro lado do "ranking", Irlanda e Dinamarca foram os mais cumpridores. Uma realidade que a Quercus não estranha. "Temos mais de 300 zonas balneares em Portugal, 90 por cento delas são costeiras, mas as interiores têm realmente problemas graves, que derivam de poluição, principalmente do não tratamento dos esgotos domésticos e da indústria agro-pecuária", afirmou Francisco Ferreira, dirigente daquela associação. Quanto à qualidade das águas costeiras, Portugal está em sexto lugar na lista dos mais bem comportados, com níveis de cumprimento que chegam aos 96 por cento. O relatório comunitário destaca ainda o facto de quatro países europeus - Espanha, Itália, Chipre e Malta - viveram num estado de "stress hídrico" (18 por cento da população), ou seja, com um consumo muito elevado de água em relação aos recursos disponíveis. Portugal (32 por cento da população) vive num estado de "stress hídrico reduzido", mas o relatório chama a atenção para o facto de ser um dos países com o índice mais elevado de consumo de água para a agricultura.


Autor: Nelson Mingacho

Reconquista - 31-12-2003 18:01:50