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Porque muitas das suas propostas
foram “ignoradas”
Autarcas descontentes com Plano de
Ordenamento do PNDI
Os presidentes dos quatro
concelhos abrangidos pelo Parque Natural do Douro
Internacional vão reunir-se, durante esta semana, para
tomarem uma decisão em relação ao Plano de Ordenamento
daquela área, que foi aprovado pelo Governo sem antes
ter sido dado a conhecer aos autarcas. Para além disso,
o documento aprovado não contempla propostas feitas
pelos presidentes de Câmara, algumas das quais levaram
cerca de três anos a serem discutidas. Uma situação que
provocou a indignação dos autarcas.
Os presidentes dos municípios que integram o Parque
Natural do Douro Internacional (PNDI), nomeadamente
Mogadouro, Miranda do Douro, Freixo de Espada à Cinta e
Figueira de Castelo Rodrigo estão contra a versão final
do Plano de Ordenamento daquela área protegida, que foi
aprovada em Conselho de Ministros sem antes ter sido
dada a conhecer aos autarcas.
Os autarcas daqueles municípios dizem que ficaram a
saber, durante uma reunião com o director do PNDI e do
Instituto de Conservação da Natureza (ICN), que o
Governo se preparava para aprovar o Plano de Ordenamento
do parque. Ao que parece, o ministro do Ambiente,
Francisco Nunes Correia, queria apresentar o documento
no Dia do Ambiente (5 de Junho), como, de facto, fez na
passada segunda-feira. “O ministro quis fazer um
brilharete ao anunciar o Plano de Ordenamento no Dia do
Ambiente, mas aquilo foi um erro”, disparou Manuel
Rodrigo, presidente da Câmara Municipal de Miranda do
Douro.
É que, para além da aprovação do documento sem consulta
final dos autarcas, constatou-se que muitas das
propostas que tinham sido feitas pelas Câmaras, algumas
das quais levaram cerca de três anos a serem discutidas,
acabaram “pura e simplesmente” por ser ignoradas. Uma
situação que indignou os presidentes de Câmara.
“Não andámos três anos em reuniões e discussões para
depois fazermos figuras de palhaços. É de lamentar que
depois do Plano aprovado não tenhamos sido ouvidos”,
comentou Manuel Rodrigo. “Andámos a discutir questões
para acabarem por ser ignoradas e para acabarem no
caixote do lixo. Merecemos mais respeito”, acrescentou o
autarca de Freixo de Espada à Cinta, Edgar Gata.
A existência de pareceres vinculativos e de algumas
restrições no Plano são algumas das questões com as
quais os autarcas não concordam. No caso de Miranda do
Douro, por exemplo, a autarquia andou anos a discutir as
regras para os operadores turísticos no Douro,
defendendo que devia ser dada prioridade às iniciativas
municipais. A Câmara está disposta a investir numa
embarcação para divulgar o concelho pelo rio, mostrando
a sua língua, gastronomia, cultura, tradições... “A
discussão foi feita com técnicos e juristas do Parque,
que as aceitaram. Agora vêm dizer que é ilegal. Ou não
sabem o que fazem, ou andam a brincar connosco”, referiu
Manuel Rodrigo, acrescentando que o operador privado só
se preocupa com o dinheiro de cada viagem, para além de
que utiliza gasóleo espanhol, tem bebidas espanholas na
embarcação e leva as pessoas para comerem nos
restaurantes espanhóis.
Já Edgar Gata considera que, sem o acatar das propostas
dos municípios, muitas discutidas com agricultores e a
população em geral, há sérias dúvidas que o PNDI tenha
“pernas para andar”. O autarca de Freixo confessa que
adivinha “muitas dificuldades” para as populações, que,
o mais certo, é acabarem por “evitar cumprir as normas
de ordenamento”. “Algumas das restrições do Plano vão
continuar a ser um entrave ao desenvolvimento e o Parque
vai ser um espaço quase adiado”, observou o autarca,
para acrescentar: “Nós fizemos o possível e alertámos
para o que se está a passar”. |