
Edição nº 841
(2/3/2005)
Claustro da Lavagem
AS ZONAS DE SENSIBILIDADE DEMAGÓGICA
O
Instituto da Água (INAG) continua vergonhosamente a querer pôr em prática o
seu desastrado e indesejável Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo de
Bode (POACB).
Fez recentemente colocar
uma sinalização restritiva absurda à navegação de recreio na Albufeira
conforme está na fotografia. Um dos exemplos flagrantes é a "zona de
sensibilidade ecológica" ou melhor "demagógica" a montante do Lago Azul no
Concelho de Ferreira do Zêzere junto à confluência da Ribeira da Cabreira
conforme vem assinalada no mapa.
Acontece porém que na bacia
vertente daquela Ribeira existem suiniculturas cujos dejectos são
armazenados em tanques e o seu conteúdo corre o grave risco de se infiltrar
no lençol freático contaminando o solo bem como as linhas de água que correm
para a Albufeira.
Se o INAG não sabe disso é
porque os estudos prévios ao POACB foram feitos em cima do joelho. Se sabe
ou sabia, então trata-se de um verdadeiro escândalo!
Curiosamente, apareceu um
artigo sobre essa matéria que tem por título «Embarcações de recreio: os
guarda-chuvas das suiniculturas». Foi publicado na pag. 9 da edição de 31 de
Março de 2004 do jornal de Figueiró dos Vinhos "A Comarca". Esse artigo dá
conta das declarações de um porta-voz local da Quercus que afirmou (sic): «…
muito mais lesivo que os barcos são as descargas das suiniculturas». e o
artigo acrescenta ainda: «Reconheceu no entanto que para os poderes públicos
é mais fácil e mais cómodo proibir embarcações com motor a 2 tempos do que
exigir às suiniculturas que invistam em sistemas de tratamento e filtragem
dos seus resíduos».
Essas tais "zonas de
sensibilidade demagógica" foram metidas a martelo no POACB como consequência
da falta de senso, incompetência e má-fé que reinam no INAG. É que essas
zonas não fazem nem nunca fizeram parte dos reais objectivos da Albufeira e
a patetice dessa sinalização constitui um autêntico esbanjamento do dinheiro
dos contribuintes alguns dos quais até estão a ser prejudicados.
Francisco Falcão |